Provavelmente era o lobo mais especial que jamais se viu passar por essas florestas. O mesmo que, durante o dia, o homem mais bonito e gentil que nunca se havia visto. Ela sabia que, à noite, sobretudo as de Lua Cheia, o homem se transformava em lobo e saia a procura de caça. Ela o possuia como ele a possuia, então não temia que o lobo fosse em busca de alguma donzela. E assim,passava fora de casa toda a maderugada. Mas sempre voltava para sua dama, sua bonequinha, seu brinquedinho de dar prazer. E era com ela que ele satisfazia do seu desejo de carne e faziam amor em cima do piano, da mesa da sala de jantar até que ele, vendo-a satisfazer-se, gozava da sensação de havê-la levado às nuvens e voltado, ela se virava para ele e o acariciava como se fosse sua primeira vez. Não lhe importava se a mordiscasse levemente ou se a arranhara com suas potentes garras, o certo é que, na pele de homem ou na de lobo, era ele o objeto de seu desejo e a segurança do seu tesão.
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